(Violões do Verdespaço: Quinta Edição)
por Vinícius Armiliato
O que foi a quinta edição do Violões do Verdespaço?
O que levar em conta para dizer o que foi a nossa última edição do Violões? Para mim algo muito, mas muito importante foram os ensaios. Esses foram momentos muito bem valorizados por todos. Pela primeira vez utilizamos escala! Inicialmente parecia que seria mais desgastante começar às 14h e seguir até às 22h passando e repassando as músicas do Violões. E não foi. Cada música ouvida com foco e discutida com calma não deixa ninguém cansado. Nos ensaios das edições passadas era bem mais cansativo, apesar de durarem duas ou três horas...
Uma das dificuldades que encontramos sempre nos ensaios é de encontrar a coesão entre os músicos, visto que em boa parte dos casos eles nunca tocaram juntos. É praticamente impossível para cada um, nos seus ensaios individuais, passar a música com a bateria, com o vocalista, com o baixo ou com outros violões e arranjos. Então, chega o ensaio do Violões, às vezes os músicos nunca trabalharam juntos e por mais que todos dominem muito bem aquilo que tem que ser feito na música, algo que não sei o nome nem o que é, faz com que tocar em grupo fique difícil. É preciso encontrar, nos poucos ensaios que fazemos para o Violões, um ponto de coesão e integração entre os músicos que só se adquire com a prática. Aí eu penso na primeira vez que passamos Wish You Were Here, Losing My Religion e Construção no primeiro ensaio. Depois das músicas tocadas, a expressão na face dos músicos não era boa, pois as coisas não pareciam integradas, faltava alguma coisa para que essas músicas soassem. E eu não sei o que aconteceu, mas as semanas passaram, mais ensaios aconteceram e os músicos conseguiram dar coesão ao que iriam tocar. Os ensaios são importantes para fazerem acontecer coisas que estão além de técnicas que só adquirimos com a repetição. Quando ensaiamos em conjunto com outras pessoas, nós vamos aprendendo a dominar nossa sensibilidade aos parceiros musicais, fazendo os sons produzidos pelos colegas gradativamente se acomodarem aos nossos ouvidos. Não basta ter os dedos (o corpo) treinado com relação ao instrumento. É importante aprender a ouvir para tocar em conjunto, sendo que para ouvir é preciso não só treinar como também praticar a nossa sensibilidade.
Se não me engano este foi o Violões com a maior quantidade de ensaios. Para Construção chegávamos a ensaiar até em quatro momentos distintos em cada dia de ensaio. O resultado disso foi o que o público pôde contemplar e ajudar a fazer. Essa interação com o público durante a música é algo ainda bastante tímido no Violões e acredito que precisamos explorar mais essa idéia. Era uma dúvida para nós qual seria a reação da platéia se os instrumentos de percussão fossem entregues para ela durante a música. Para nosso gosto, todos aceitaram mostrar o que sabiam fazer com a percussão em mãos.
Algo que também é de se considerar foi o trabalho da equipe de produção. As coisas foram largamente discutidas pela produção de forma a encontrar o melhor jeito de conferir ao Violões uma boa estética, organização e qualidade técnica. Se não fosse esse trabalho em equipe muitas coisas deixariam de ser discutidas por falta de tempo e de pessoas para pensar em mais e mais idéias para o Violões.
O palco sim foi inovador. Tínhamos bons motivos para alterar o palco. O principal deles era dar foco maior aos violonistas em detrimento dos cantores e músicos acompanhantes. Além disso, esse palco possibilitou que os músicos pudessem encarar a platéia, bem como a platéia pudesse encarar os músicos. E não é tão fácil assim para nós ficar tão próximos da platéia, visto que qualquer suspiro é muito bem notado. Por outro lado, podemos ver bem o que estamos causando naqueles que nos assistem enquanto executamos nossas músicas. Outro importante motivo para tal mudança de palco era fazer com que cada cabo, fio, instrumento, canhão de luz, caixa de som, pedestal, microfone, integrasse o cenário. Ao invés de tecidos, papéis e adereços, resolvemos usar como material para o cenário nossos corpos e nossos equipamentos. Por isso um não havia necessidade de esconder o cinegrafista-cenário que estava sobre o palco, bem como a cinegrafista-cenário que circulava pelo espaço do evento. Também nossa assistente de palco-cenário e contrarregra-cenário teriam seus duplos papéis com esse palco novo.
Tendo em vista tudo o que já escrevi acima, e respondendo a pergunta que intitula esse texto, podemos considerar que, segundo a enquete proposta aqui no Blog a melhor edição do violões foi a quarta, isso queria dizer que a quarta era o que a quinta edição foi: A Melhor Edição do Violões do Verdespaço de Todos os Tempos.
PARABÉNS!!!
ResponderExcluirO BLOG É BEM LEGAL!!
RAFAEL
(vou divulga-lo)